il acreditar que fosse parente da Velha Ama.
Bran perguntou a si mesmo se, quando envelhecesse,
encarquilharia até ficar tão pequeno como a bisavó.
Não parecia provável, mesmo que Hodor vivesse até
os mil anos.
Hodor levantou Bran tão facilmente como se fosse
um pequeno amontoado de feno e aninhou-o no peito
maciço. Hodor exalava um leve odor de cavalos, mas
não era um cheiro desagradável. Seus braços eram
grossos, cheios de músculos e atapetados com pelos
castanhos.
- Hodor - o gigante disse uma vez mais. Theon
Greyjoy comentara que Hodor não sabia muito, mas
ninguém podia duvidar de que conhecesse seu nome.
A Velha Ama cacarejara como uma galinha quando
Bran lhe contou isso, e ela então confessou que o
verdadeiro nome de Hodor era Walder. Ninguém
sabia de onde viera "Hodor", ela disse, mas quando
ele começou a repetir Hodor, começaram a chamá-lo
por esse nome. Era a única palavra que o gigante
conhecia.
Deixaram a Velha Ama no quarto da torre com suas
agulhas e suas memórias. Hodor cantarolava
desafinadamente enquanto carregava Bran pelos
degraus e através da galeria, com Meistre Luwin
atrás, esforçando-se para acompanhar as longas
passadas do cavalariço.
Robb estava sentado no cadeirão do pai, usando cota
de malha, couro fervido e o rosto severo como o de
um Senhor. Theon Greyjoy e Hallis Mollen estavam
em pé a seu lado. Uma dúzia de guardas estava
disposta ao longo das paredes de pedra cinzenta, sob
janelas altas e estreitas. No centro da sala,
encontravam-se o anão com seus criados e quatro
estranhos vestidos com o negro da Patrulha da
Noite. Bran sentiu a ira que pairava no salão no
momento em que Hodor o carregou pela porta.
- Qualquer homem da Patrulha da Noite é bem-vindo
aqui em Winterfell pelo tempo que desejar ficar - seu
irmão dizia com a voz de Robb, o Senhor. Tinha a
espada pousada sobre os joelhos, mostrando o aço
para que todo mundo visse. Até Bran sabia o que
significava receber um hóspede com uma espada
desembainhada.
- Qualquer homem da Patrulha da Noite - repetiu o
anão -, mas eu, não, percebo bem o que quer dizer,
meu rapaz?
Rob pôs-se de pé e apontou para o homenzinho com
a espada.
- Eu aqui sou senhor enquanto minha mãe e meu pai
estiverem fora, Lannister. Não sou seu rapaz.
- Se é um senhor, bem podia aprender a cortesia de
um - respondeu o homenzinho, ignorando a ponta da
espada apontando para sua cara. - Seu irmão
bastardo ficou com toda a elegância do seu pai, ao
que parece.
- Jon - Bran arquejou nos braços de Hodor.
O anão virou-se para olhá-lo.
- Então é verdade, o rapaz está vivo. Quase não
acreditei. Vocês, os Stark, são difíceis de matar.
- E é bom que vocês, os Lannister, se lembrem disso -
disse Robb, baixando a espada. - Hodor, traga meu
irmão aqui.
- Hodor - o gigante repetiu, e trotou em frente,
sorrindo, e pousou Bran no cadeirão dos Stark, onde
os Senhores de Winterfell se sentavam desde os
tempos em que chamavam a si próprios Reis do
Norte. A cadeira era de pedra fria, polida por
incontáveis traseiros; as cabeças esculpidas de lobos
selvagens rosnavam nas pontas de seus maciços
braços. Bran agarrou-as ao se sentar, com as inúteis
pernas a balançar. O grande cadeirão o fez sentir-se
quase como um bebê.
Robb pousou-lhe a mão no ombro.
- Você disse que tinha assuntos a tratar com Bran.
Pois bem, aqui está ele, Lannister.
Bran estava desconfortavelmente consciente dos
olhos de Tyrion Lannister. Um era negro e o outro,
verde, e ambos o olhavam, estudando-o, pesando-o.
- Disseram-me que era um belo escalador, Bran -
disse o homenzinho. - Diga-me, como caiu naquele
dia?
- Eu nunca - insistiu Bran. Ele nunca caía, nunca,
nunca, nunca.
- O rapaz não se recorda nada da queda, nem da
escalada que a precedeu - disse Meistre Luwin com
gentileza.
- Curioso - Tyrion Lannister respondeu.
- Meu irmão não está aqui para responder a
perguntas, Lannister - Robb foi conciso no aviso. -
Trate logo do que o trouxe aqui e ponha-se a
caminho.
- Tenho um presente para você - disse o anão a Bran.
- Gosta de montar a cavalo, rapaz? Meistre Luwin
adiantou-se.
- Senhor, a criança perdeu o uso das pernas. Não
pode se sentar sobre um cavalo.
- Besteira - Lannister respondeu, - Com o cavalo e a
sela certos, até um aleijado pode montar. A palavra
foi como uma faca espetada no coração de Bran.
Sentiu lágrimas a subir-lhe aos olhos sem serem
convidadas.
- Eu não sou um aleijado!
- Neste caso, eu não sou um anão - retrucou o anão,
torcendo a boca.
- Meu pai se alegrará quando souber - Greyjoy riu.
- Que tipo de cavalo e sela está sugerindo? -
perguntou Meistre Luwin.
- Um cavalo inteligente - Lannister respondeu. - O
rapaz não pode usar as pernas para dirigir o animal,
portanto, tem de se ajustar o cavalo ao cavaleiro,
ensinar-lhe a responder às rédeas, à voz. Eu
começaria com um potro não domado de um ano, sem
ensinamentos antigos - tirou do cinto um papel
enrolado. - Entregue isto ao seu fabricante de selas.
Ele tratará do resto.
Meistre Luwin recebeu o papel da mão do anão,
curioso como um pequeno es